15 anos sem Chico Science
Há 15 anos um trágico acidente vitimava Chico Science, um artista que mudou a cara da música pernambucana na década de 1990. Chico foi hoje um dos assuntos mais comentados do Twitter brasileiro durante todo o dia.
Homenagens mais do que merecidas estão sendo feitas ao seu nome, e a Expoidea também reserva aqui em nosso blog um espaço para essa grande figura.
Valeu muitíssimo a pena assistir o documentário da TV Viva e da TV Jornal sobre Chico Science. Está no vídeo logo abaixo – lembrando que hoje também vai ser apresentado um especial sobre Chico na MTV, e a mesma emissora também apresentará uma maratona de 24h sobre o artista no próximo sábado.
“Um passo à frente.
E você não está mais no mesmo lugar…”
Rio+20 discute criar meta ambiental para empresas
As empresas podem ter algum tipo de meta ambiental para o futuro – este talvez seja um dos resultados mais concretos da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em junho. Seria, como o nome diz, uma espécie de “cadastro voluntário de compromissos”, público e transparente.
A reportagem é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor Econômico (link para assinantes) de hoje.
Este registro de promessas sustentáveis do mundo dos negócios poderia ficar no site das Nações Unidas, por exemplo. Ali, setores empresariais e grandes companhias registrariam, por exemplo, seu compromisso de deixar de usar determinado item em sua linha de produção, em certo prazo, porque ele seria fonte importante de emissão de gases-estufa. Outro setor poderia estabelecer uma promessa com seus consumidores de garantir uma cadeia de produção onde não se desmatam florestas.
Esta iniciativa está no último parágrafo do texto “O Futuro que Queremos”, o principal documento da Rio+20. O texto, de 19 páginas, é atualmente um rascunho do que virá a ser o documento final da cúpula. Várias rodadas de negociações com delegados de 193 países definirão o texto final, que será aprovado pelos chefes de Estado e de governo no encontro, de 20 a 22 de junho. A primeira dessas reuniões começa hoje, em Nova York.
“O compromisso destas empresas tem um impacto importante e, sendo público, a sociedade pode cobrar”, explica o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores e à frente das negociações para a Rio+20. “É transparente e tem valor moral. Nenhuma empresa vai querer divulgar um compromisso e depois não cumprir”, continua.
Instituto Delta Zero será lançado nesta terça-feira
Acontece nesta terça-feira (dia 24, às 19h – Centro Cultural dos Correios, Av. Marquês de Olinda, 262 – Bairro do Recife), o lançamento oficial do Instituto Delta Zero, uma associação de empresas e empreendedores que atuarão de forma colaborativa e serão interlocutores com as cadeias criativas de produção.
Os associados atuam dentro do que prevê a ampla conceituação dada pelo Plano Nacional de Economia Criativa do Ministério da Cultura e se lançam através do Delta Zero como um coletivo capaz de garantir a força e projeção que Pernambuco precisa para se tornar referência internacional.
O processo de adesão está em aberto para empresas, MEI (micro-empreendedores individuais) e organizações do terceiro setor (Pontos de Cultura, Coletivos Culturais Associados, etc).
O processo de discussão para formulação e criação do instituto teve início há 4 anos, cujos esforços reuniu mais de 250 atores da Cultura, da Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC e Empreendedores Culturais, que discutiram os caminhos para constituir o potencial criativo, artístico e cultural, com ênfase na contribuição de um Cluster de referência para o país. aliados inclusive com o potencial empreendedor das empresas instaladas no Porto Digital.
Para associar-se, os interessados devem assinar uma ficha de inscrição e associação e contribuir com uma taxa simbólica de adesão (R$ 100,00 para empresas e instituições de grande e médio porte e R$ 50,00 para MEI, Pontos de Cultura e Coletivos Culturais Associados etc), onde o valor arrecadado com a adesão servirá para custear a legalização da entidade.
No evento será apresentado o plano de trabalho com cronograma de execução, além da estrutura da organização, modelo de gestão e o Blog Oficial, que servirá como canal para informar os associados e a sociedade sobre as ações do Instituto.
Após o lançamento, os convidados participarão de uma confraternização no local.
Ações Estratégicas do Instituto Delta Zero:
O Instituto tem entre seus principais objetivos proporcionar encontros entre seus associados que promovam a geração de negócios, desenvolvimento de novos produtos, serviços e processos inovadores, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Pernambuco e reafirmando o nosso Estado como um dos principais pólos criativos do Brasil.
O Instituto também articulará os interesses dos associados nos debates sobre as políticas públicas a serem traçadas para a Economia Criativa, bem como o fortalecimento dos mesmos para a gestão de negócios e sustentabilidade.
Entre as ações iniciais, o Instituto prestará dois serviços fundamentais: o Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, responsável por identificar novas oportunidades de parcerias, recursos, negócios e de mercado; e o Birô de Exportação, responsável por promover as empresas e organizações associadas nacional e internacionalmente, rompendo gargalos de articulação, produção, difusão, distribuição e circulação de produtos e serviços.
Estamos negociando com o Governo do Estado, com o BNDES e com o BNB a construção de uma parceria público-privada que envolverá investimentos próprios dos associados, além de recursos reembolsáveis e não reembolsáveis dos bancos, e investimentos em infra-estrutura do Estado.
Nossa ideia é montar o desenho de um arranjo produtivo local, o Delta Zero – inclusive com espaço para alocação das empresas – que envolva este conjunto de investimentos iniciais, e que obviamente não excluirá a prospecção de outros parceiros e investidores.
“A origem das redes sociais é a sociedade humana”
- Escritor, professor, palestrante e “netweaver”, Augusto de Franco fala da diferença entre redes e mídias sociais e sobre a importância dessas ferramentas no mundo moderno
Entrevista: Aos 61 anos, o escritor, consultor, professor e palestrante Augusto de Franco pode ser um desconhecido para muitos, mas já escreveu mais de 20 livros sobre desenvolvimento local, capital social, democracia e redes sociais. Ele é o criador e um dos “netweavers” da Escola-de-Redes – uma rede de pessoas dedicadas à investigação de redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de “netweaving” – e de uma empresa-em-rede chamada Netweaving HCW.
Alguns de seus conceitos parecem complicados, mas basta uma conversa para Augusto explicá-los de forma simples. Especialista na formação de redes sociais, ele faz questão de ressaltar que essas redes já existem muito antes da invenção de sites como Orkut, Facebook, Twitter ou qualquer outro site. “Deve-se tomar cuidado. Redes sociais não podem ser confundidas com mídias sociais”, afirma com frequência. Redes sociais são pessoas interagindo, por qualquer meio. A interação pode ocorrer presencialmente ou à distância. Mídias sociais são apenas ferramentas. Como o nome está dizendo, são “meios” como o Twitter e o Facebook ou uma plataforma digital de netweaving, como o Ning ou o Elgg. Normalmente existem três grandes confusões acerca dessa distinção.
Para o professor, redes sociais correspondem a pessoas interagindo por qualquer meio. Já as mídias sociais são as ferramentas como Twitter e Facebook, por exemplo.
“A interação acontece independentemente das nossas intenções de disciplinar o fluxo, guardá-lo ou congelá-lo”
O senhor distingue mídias sociais de redes sociais. Quais são, exatamente, essas diferenças?
Redes sociais são pessoas interagindo, por qualquer meio. A interação pode ocorrer presencialmente ou à distância. Mídias sociais são apenas ferramentas. Como o nome está dizendo, são “meios” como o Twitter e o Facebook ou uma plataforma digital de netweaving, como o Ning ou o Elgg. Normalmente existem três grandes confusões acerca dessa distinção.
Quais seriam essas confusões e como poderíamos desfazê-las?
É normal confundir descentralização com distribuição, participação com interação e site da rede com rede. Ninguém pode entender o que é a rede se não entender essas diferenças. Chamamos de redes sociais aquelas que são mais distribuídas do que centralizadas. Redes mais centralizadas do que distribuídas são hierarquias. Redes sociais são ambiente de interação, não de participação. Não se pode entender a sociedade em rede sem entender a interação. O problema é que estamos tão intoxicados pelas ideologias participacionistas do século passado que confundimos participação com interação. Está aí a web 2.0 que não me deixa mentir. Tudo se resume a curtir, votar, adicionar… As caixinhas já estão prontas. Quando você clica nelas a interação já se perdeu. Só os donos dessas plataformas têm acesso aos dados que você e todos os outros participantes jogaram nos alçapões que eles construíram. Típico do participacionismo, onde há sempre uma oligarquia com poderes regulatórios. O participacionismo foi uma espécie de tentativa de salvar do incêndio os esquemas de “comando-e-controle”; um esforço para ficar fora do abismo da interação. A participação está mais ou menos como o “creative commons” está para o domínio público.
Entender a sociedade em rede é entender as redes, e entender as redes é entender a fenomenologia da interação. Nela as coisas são diferentes. Elas acontecem independentemente de nossas intenções de disciplinar o fluxo, guardá-lo ou congelá-lo. Não é possível gerar artificialmente escassez introduzindo processos de votação ou preferência. É possível arrebanhar as pessoas em um espaço participativo para depois conduzi-las. Quando a interatividade aumenta, é porque os graus de conectividade e distribuição da sua rede social aumentaram, ou, dizendo de outra forma, os graus de separação diminuíram e o mundo social se contraiu.
Por fim, confunde-se redes com mídias sociais. Redes sociais existem desde que existe sociedade humana, com pessoas interagindo. Pode-se interagir utilizando diferentes mídias: gestos, sinais, conversas presenciais, tambores (como faziam os pigmeus), sinais de fumaça (como faziam os Apaches), cartas… por aí vai. Ao confundir os sites da rede (as mídias sociais) com as redes, estamos dizendo que não existe uma rede (uma realidade social) se não houver um site (um artefato digital).


