Especialistas reunidos no Recife buscam alternativas criativas para encaminhar a discussão sobre a emissão de gases do efeito estufa nos fóruns globais
da Redação do site Brasil no Clima
Na manhã de sábado do Pernambuco no Clima, cientistas e pensadores se reuniram no hotel Transamérica, em Boa Viagem, no Recife, para discutir diferentes formas de pensar os modelos de negociações climáticas. Sob o comando do facilitador sul africano e diretor executivo da Future Considerations, Mark Young, o grupo debateu sobre os paradigmas que ainda precisam ser quebrados para construir soluções que evitem tragédias ambientais e garantam uma vida mais sustentável no planeta. Na primeira parte da reunião, experiências e ideias foram postas na roda com o objetivo de levantar possibilidades reais e viáveis que acelerem as ações que precisam ser tomadas – como a redução na emissão de gases carbônicos para 450 partes por milhão (ppm) – e gerar mudanças positivas.
Na segunda parte, cinco subgrupos foram designados para debater temas como: cultura e consciência do consumo, mobilização de recursos, diminuição de ppm, reformulações na forma de pensar o problema do clima, energias, possibilidades de novas arquiteturas com ações de inovações de mudanças de clima, diálogos entre o norte e o sul e a vulnerabilidade e oportunidades para os países do G-20. A importância de encontrar um denominador comum de redução de ppm, assim como considerar as diferenças e abrir diálogos entre os países foram pontos unânimes defendidos por todos os presentes.
Para o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Eduardo Viola, este tipo de evento é de fundamental importância, uma vez que coloca a questão da negociação da mudança climática em um patamar diferente do exposto pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Estamos buscando algo que seja viável, mais elevado do que a ONU.
Um mínimo denominador comum. A ideia é que os principais produtores do mundo possam resolver e reestruturar o problema climático. Este grupo, aqui, tem como missão redefinir as formas de pensar e encontrar a solução de um modo novo, diferente do que se tem pensado até hoje”, afirma. Viola acredita que é necessário focar em aspectos sociais, não somente em critérios econômicos e políticos, ainda que o primeiro não tenha a mesma força que os outros.
Já o doutor em ciência ambiental da Universidade de São Paulo (USP) e sócio-fundador da Evoluir, Educação e Sustentabilidade, Fernando Monteiro, o Pernambuco no Clima é uma oportunidade de discutir os impasses climáticos e uma via de sobrevivência sustentável que busque resultados reais e que não fiquem apenas no plano conceitual. “O grupo é bem diverso, com pessoas nacionais e internacionais que estão com o desafio de fazer algo diferente, trilhar caminhos diferentes. É comum profissionais participarem das reuniões da ONU e saírem com um sentimento de frustração, acreditando que nada daquilo será posto em prática. Este grupo é de pessoas que estão com vontade de pensar caminhos alternativos, novos modelos de negociação. Espaços diferentes e alternativas diferentes”, acredita Monteiro.
O encontro segue no Recife até este domingo, e serve de prévia para a Rio Climate Challenge (RCC), que acontecerá em junho durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável – a Rio +20. O evento é uma realização do Instituto Ideação, em parceria com as subcomissões da Rio +20 no Congresso Nacional e a Fundação Ondazul, e o patrocínio do Governo de Pernambuco, da Prefeitura do Recife e da Chesf.
