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Pernambuco e Rio juntos pelo clima

Um dos estados brasileiros que se situam na faixa mais vulnerável aos impactos do aquecimento global, Pernambuco entra no esforço pela montagem de acordos globais para a redução da emissão dos gases do efeito estufa. Somente no semi-árido pernambucano, dois milhões de pessoas habitam uma região suscetível à desertificação. “Com a elevação da temperatura, Pernambuco fica numa situação de grande risco social, econômico a ambiental”, atesta o secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier, durante a reunião preparatória para a Rio Climate Challenge (RCC), que acontece até este domingo no Recife. A RCC será o mais importante evento paralelo da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, em junho.

Além da preocupação com a seca, os pernambucanos temem a inundação do litoral, com a possibilidade de elevação do nível do mar. Recife e outras cidades da Região Metropolitana podem ser muito afetadas, em áreas densamente povoadas, assim como no Rio de Janeiro. Desta forma, a parceria instituída para a preparação para a RCC, com o Pernambuco no Clima, é uma parceria estratégica para o estabelecimento de políticas ambientais no Brasil. “Temos a obrigação de estar alertas, e formular políticas que sejam exemplos para enfrentar as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global, mudanças que já estão acontecendo”, diz Sérgio Xavier.

Para que essa disposição se transforme em decisão e ações concretas, o governador Eduardo Campos tem se dedicado à implantação de políticas inovadoras. Como a assinatura, na abertura do Pernambuco no Clima, na última sexta-feira, de um novo projeto de lei que incentiva a produção e o uso de energia renovável, e a adoção de sistemas que gerenciam melhor a água e tornam eficientes os processos de sua distribuição e uso no Estado.

“Pernambuco está fazendo a sua parte. É claro que a gente está numa região de muita exclusão social, e a economia precisa crescer para que gere emprego e renda. Mas é importante que cresça no rumo da sustentabilidade, na linha da economia do século 21, que tem que ser uma economia de baixa emissão de gases do efeito estufa”, ressaltou o secretário de Meio Ambiente do Estado.

O evento Pernambuco no Clima, que se encerra hoje no hotel Transamérica, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, foi viabilizado graças à parceria de agentes públicos e não governamentais. Nasceu como uma iniciativa do Congresso Nacional, a partir do presidente da subcomissão Rio+20, o deputado federal Alfredo Sirkis, no âmbito da RCC, com o apoio do governo de Pernambuco e da Prefeitura do Recife, da Chesf, da Prefeitura do Rio de Janeiro, a realização do Instituto Ideação, e o apoio da Fundação Ondazul e da Expoidea.

 

Focos definidos para a RCC

O deputado Alfredo Sirkis na abertura da reunião no Recife. Na foto, Sérgio Besserman, o prefeito João da Costa, o governador Eduardo Campos, o secretário estadual de meio ambiente Sergio Xavier e Gilberto Gil. Foto: Tarsio Alves

da redação do site Brasil no Clima

Na tarde do segundo dia do Pernambuco no Clima, o grupo começou a formular a agenda de trabalho para o Rio Climate Challenge (RCC), evento paralelo a Rio+20, em junho, na capital carioca. Cientistas e pensadores presentes no hotel Transamérica, no bairro de Boa Viagem, no Recife, dividiram em quatro frentes o objeto em discussão: redução, adaptação, financiamento e inovação. Subgrupos foram formados para debater os temas, criar alternativas e perguntas viáveis a respeito.

Além das quatro frentes, foram definidos focos que nortearão a finalização do documento: é preciso pensar em inovações e não apenas retificar o que já está disponível no mercado, chamar atenção da mídia para o que se está propondo, influenciar direta ou indiretamente os tomadores de decisões, tornar-se modelo para negociações mais efetivas, reconfigurar o problema e mudar os assuntos das pautas.

No esboço, as equipes acrescentaram suas observações e ideias sobre como inovar, obter financiamento, novas políticas que rediscutam o futuro e as energias com baixo teor de carbono e a importância dos experts no desenvolvimento destas ideias. A continuação da discussão ficou para o domingo, último dia do Pernambuco no Clima. O evento é uma realização do Instituto Ideação, em parceria com as subcomissões da Rio +20 no Congresso Nacional e a Fundação Ondazul, o apoio da Expoidea e o patrocínio do Governo de Pernambuco, da Prefeitura do Recife e da Chesf.

Legado ambiental é permanente

Para Tasso Azevedo, que participa no Recife de reunião prévia para a Rio Climate Challenge, o sucesso de acordos para o meio ambiente pode ser mais importante para os líderes políticos do que deixar obras como pontes e estradas

da Redação do site Brasil no Clima

O consultor em florestas e mudanças climáticas Tasso Azevedo, primeiro diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro e um dos principais articuladores do Plano Nacional de Combate ao Desmatamento, do Fundo Amazônia e das metas nacionais de redução das emissões de gases do efeito estufa, é um dos participantes da prévia da Rio Climate Challenge (RCC), que acontece este final de semana no Recife (PE).

Para o consultor, o encontro é a tentativa de se buscar uma abordagem diferente para solucionar um impasse global. “Sabemos o que precisa ser feito, mas o caminho para chegar lá envolve questões econômicas que travam as discussões”. A RCC é uma iniciativa das subcomissões da Rio+20 no Congresso Nacional, a fim de simular um acordo válido para todos os países até 2015, como preconiza a Organização das Nações Unidas (ONU).

Ontem, no primeiro dia do evento no Recife, realizado pelo Instituto Ideação e patrocinado pelo Governo de Pernambuco, pela Prefeitura e pela Chesf, o destaque foi o debate em torno Protocolo de Genebra, a partir do testemunho do israelense Yossi Beilin e do palestino Yasser Abed Rabbo. “São atores que não são os negociadores oficiais, mas poderiam perfeitamente ser, representam esses interesses”, comentou Tasso Azevedo. “Se a gente conseguir tirar lições disso, embora seja um problema de outra dimensão, envolvendo muitas partes, e não apenas duas, poderemos encontrar um caminho para oferecer uma possível solução no processo da Rio+20”.

Nas atividades de hoje, a reunião que conta com participantes de sete países pretende desenhar a metodologia para a RCC, que acontece em junho em paralelo à Rio+20. A metodologia diferenciada é considerada fundamental, embora, como recorda Tasso Azevedo, a conclusão de ontem foi de que o ideal é que não se tenha que planejar demais todos os passos. “Precisamos compor os grupos de tal forma que eles possam verdadeiramente representar as forças e os interesses dos principais atores do debate sobre o clima. A partir daí o desafio será ter esses interlocutores interessados em desempenhar o papel, e garantir a presença deles”, explica Azevedo.

A tarefa é identificar alguém na China, por exemplo, que compreenda o processo de decisão política chinês, e que ao chegar aqui seja olhado de lá, por quem toma as decisões, como alguém de credibilidade para os interesses chineses. “Não acho que seja uma impossibilidade, mesmo sendo um tema difícil. O envolvimento do Congresso, com a participação de ex-presidentes, ajuda bastante. E é legal ver o Congresso protagonizando alguma coisa positiva nos dias de hoje no Brasil”, diz o consultor, que fundou o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

Sobre a realização do encontro preparatório no Recife, Azevedo acredita que é resultado da ação de lideranças políticas comprometidas com o meio ambiente. “Sérgio Xavier (secretário estadual de Meio Ambiente) está nessa discussão há muito tempo. Mais importante será se isso no futuro for algo de sucesso, porque poderá ser contado como legado, ao invés da construção de uma termelétrica, uma ponte ou uma estrada. O único legado do Fernando Collor é a Rio 92. Foi a conferência de maior sucesso na história”. Para Tasso, isso pode influenciar outros tomadores de decisão, de olho em um legado permanente semelhante.

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